quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

AS FOLIAS DE MOMO

Estando você disposto a crescer, incessantemente, nos roteiros da vida, não se esqueça de que nem sempre será fácil a sua tarefa.

O empenho de avançar, com firmeza, pelas vias do mundo, costumeiramente exige uma grande dose de boa vontade e de coragem para não desanimar.

Ocorrem episódios que desafiam a sua disposição de dizer o "SIM" ou afirmar o "NÃO", tanto quanto apresentam-se situações e costumes absurdos que a massa aceita como normalidade, diante dos quais você se vê quase incapaz de opor-se, para não ser tão diferente dos outros, ainda que já tenha distinta opinião sobre eles.

Dentre tais variados costumes que penetraram a vida social e que e tornou algo imprescindível para um grande contingente, estão os festejos momescos, nos dias do carnaval.

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Numa ligeira panorâmica de tal festividade, em suas origens nas sociedades do Brasil, tudo não passava de gracejos, de pilhérias, nas largas horas de brincadeiras e folguedos, que reuniam amigos, vizinhos, familiares, que se travestiam, muitas vezes, procurando cada qual mostrar-se mais interessantes, chamativo, original, visando satirizar os multiplicados problemas sociais de cada época, bem como denunciá-los, tanto quanto levantar questões sobre personalidades discutidas da política, ou ainda as formas de imitar a própria Natureza, no que fosse possível.
A válvula de escape social, durante muito tempo, se apresentava nos bulícios dos grupos vários que comemoram o entrudo. 

Na medida, porém, em que os agrupamentos sociais se agigantavam; à proporção em que as dificuldades sociais determinaram transtornos de ordem moral e ao mesmo tempo que esses desconcertos morais determinaram desajustes sociais, o carnaval passou a servir para o desaguar dos caracteres tortuosos.

A violência ganhou ruas e clubes de danças, palcos de tais festejos. Os dramas da alma explodiram no corpo, e cada um, além de se travestir por fora, libera as nódoas do psiquismo, as frustrações, os desagravos, a sede de vindita e vasta horda de outros tormentos do íntimo. 

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Nas considerações amadurecidas dos espiritualista, em geral, e, particularmente, dos espiritistas, não podem passar em branco a questão vibratória e os elementos fluídicos, que a tudo envolvem.

Muita gente se expressa com honestidade, asseverando que vai para o carnaval sem intenções malévolas, vai apenas pela distração, pela empolgação, pelo movimento. Entretanto, as sintonização estão formadas. Mergulhados nas mesmas energias em que todos se encharcam, em franca cadeia de interesses similares, toda a gente se mantém no mesmo caldo de nutrição psíquica. Assim, a boa intenção contrasta com a inutilidade e materialidade dos referidos interesses, não tendo, então, o bem-intencionado, a inocência ou a escusa que a si mesmo se atribui.

Há tantas formas de divertimentos, de descontração, de alegria salutar e aprimoramento individual ou coletivo; por que, dessa maneira, a escolha do carnaval?

O provérbio que assevera: "dize-me com quem andas e o que fazes e te direi quem és..." alcança seu verdadeiro sentido, quando o analisamos dentro desse aspecto.

Em considerando as leis fluídicas, não podemos menosprezar a influência nociva de Entidades desencarnadas que, mesmo fora do corpo somático, persistem tal como eram, quando encarnadas, e, a partir daí, associam-se aos foliões, pelas leis de afinidade psíquica.

Deprimidos, violentos, zombadores, levianos, sexólatras, estúrdios, magnetizadores impiedosos, todos esses tipos de desencarnados se ajustam aos encarnados que lhes dão guarida mental, o que sempre acontece.

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Pais e mães! Vocês que já receberam as notícias do Evangelho, que já sabem dos objetivos do Cristo vir à Terra, que são objetivos de avanço espiritual, de crescimento para a Luz, não cochilem, nem se percam na importante missão de orientar sua prole.

Um filho é um tesouro, não há dúvida! Não o exponha aos larápios de sua paz em estruturação, não o abandone à sanha dos ladrões da dignidade, tão arduamente transmitida.

Quando sejam crianças, menores, dependentes da sua experiência, não os enviem às folias momescas, ainda que na companhia de avós, tios, amigos ou de outros, Vocês responderão pela segurança deles, mesmo que não estejam juntos deles.

Orientem seus filhos para melhor aproveitarem da vida. Ajudem-nos a fazer nobres escolhas para os seus próprios caminhos. Não se magoem nem se importem, com os possíveis comentários maliciosos de zombaria em torno da sua atitude, advindos de parentes ou companheiros do seu cotidiano. Vocês darão conta das suas responsabilidades, não se olvidem, e não se preocupem com as ações ou concepções alheias.

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Numa sociedade em que a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos, seja no lar, num sítio arborizado, nas paisagens refazentes do mar ou da montanha, estreitando os vínculos do carinhos, prestando atenção a tantos lances importantes da vida dos nossos queridos, antes inobservados?

Não se permitam poluir, pais terrestres, e lutem por preservar os seus filhos dessa ilusão passageira.

o imediatismo de Momo, os gozos das folias, as alegrias do carnaval, tudo isso se desvanecerá, como todo fogo-fátuo, e deixará os que neles se locupletaram nas valas da frustração e do arrependimento, mais cedo ou mais tarde.

Vocês, pai e mão, atentos à nobre tarefa de educar seus rebentos, envolvam-nos com seu amor e sua assistência para que eles amadureçam assim, e a harmonia atinja mais rapidamente os arraiais do mundo, transformando as paixões inferiores em prazer renovador e são.

Se alguém, em lhes percebendo a atitude, perguntar: "o que é que há demais no carnaval?" não se preocupem, nem se agastem em responder. Saibam, contudo, que "demais" nada há no carnaval, só há "de menos", e sigam adiante, verdadeiramente felizes, na trilha da anelada libertação, aureolados pela gratidão dos seus filhos ditosos, atendendo aos programas de amadurecimento e iluminação, para os quais reencarnaram vocês e eles no mundo atual.

(Vereda Familiar - Raul Teixeira - pelo espírito Thereza de Brito)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

FAMÍLIA E RELIGIÃO

  

(Minha família, o mundo e eu - Raul Teixeira pelo espírito Camilo)

A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. (o Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 8)

 SOBRE AS MÚLTIPLAS FORMAS DE CRER

Em todas as sociedades humanas é tácita a crença num Poder Superior que superintende a vida planetária.

No decorrer do tempo, na medida  em que se foram estruturando no mundo as vertentes das interpretações acerca desse poder Superior, nasceram as religiões formalizadas, institucionalizadas, que passaram a enquadrar no edifico estreito das teologias a crença e a fé naturais dos indivíduos. 

A possibilidade de cada um pensar num Ente Supremo com a liberdade da sua maturidade, da sua sensibilidade metafísica e do seu momento existencial, cedeu lugar a determinadas regras que acabaram por empobrecer as expansões da alma humana no relacionamento como seu Criador.

Cheias de determinações castradoras, as criaturas passaram a admitir que o Criador Universal só se encontra em certos lugares e em determinadas horas - as horas dos respectivos cultos - e que, mesmo assim, somente alguns indivíduos ungidos e escolhidos a dedo têm o poder de contactá-Lo e transmitir aos demais, em segunda mão, o que esse Grande Senhor deseja de cada um e de todos. 

Esses regramentos teologais das múltiplas religiões tiveram o poder de fragilizar ainda mais o entendimento dos humanos sobre aquilo que podem ou não falar com Deus, pedir a Deus e ouvir de Deus. operadores teológicos variados passaram a ensinar como se devem vestir, o que devem dizer, cantar ou comer, se as almas quiserem se relacionar com o Criador, o que constitui lamentável irrisão.

Aos poucos foi desaparecendo a espontaneidade na relação dos filhos terrenos com o Pai Celeste, e esses filhos passaram a temer o contato com Algo tão inalcançável quanto caprichoso, perigoso, vingativo e apaixonado, segundo as interpretações de várias escolas teológicas. Nasce a tirania das crenças.

A miscelânea que se estabeleceu entre poder político, poder econômico, cárcere, castigo, excomunhões e mortes foi promovendo o gradual afastamento das criaturas do seu Criador, não por causa do Criador, mas pela prepotência daqueles que, ousados e abusados, se interpuseram entre Deus e os homens como insolentes intérpretes de Seu pensamento e de Sua vontade.

PARADOXOS NA RELIGIOSIDADE FAMILIAR

Em razão de tudo isso, cada família que se forma, a partir desses caldos culturais religiosos, estabelece o seu vínculo com a crença em Deus. Determinam o modo como o interpretam e a pauta de costumes, de prática e de preconceitos que acatarão ao longo da sua vida espiritual na Terra.

Como cada indivíduo se acha em nível de desenvolvimento intelectual e moral diferente, não é difícil encontrar casais que despautam no que diz respeito às crenças.

Ainda quando ambos se afirmam no mesmo contexto religioso quase sempre um deles é mais aplicado do que o outro, acarretando dessintonias curiosas na vivência religiosa do par.

Há sempre aquele que se lança à práticas da crença mais aberta e intensamente, enquanto que o outro prestigia, acha bonito ou importante, embora se mantenha mais reservado em suas mobilizações. Ainda existem os que acabam por achar demasiada a atuação do cônjuge nos arraiais da religião, admitindo que é exagerada ou que não preciso tanto assim.

Para muitas famílias, a atividade religiosa termina por ser fator de litígios, de discórdias, paradoxalmente àquilo que se espera de semelhante atividade.


SOBRE A MATURIDADE DA CRENÇA

Uma vez que antropologicamente o indivíduo é crente, e sociologicamente busca aderir ao contexto teológico-institucional com o qual mais se sintonize, será importante considerar que a religião verdadeira de cada pessoa não é aquela apregoada pelo tipo de teologia, de templo ou de prática, mas aquela que a sua maturidade moral consiga administrar.

Assim, vemos pessoas que se dizem religiosas de tal ou qual denominação - algumas de discursos posturais bem exigentes - que levam uma vida de liberalidades, de viciações e outros comprometimentos incompatíveis com o que lhe é proposto pelos cânones de suas crenças.

Achamos gente que participa de sociedades religiosas especializadas em pregar dissensões e preconceitos entre os seus adeptos, levando-os a admitir que são superiores aos demais seres humanos, ou que já se acham com os pés no paraíso, mas que não se deixa levar por isso e viver fraternalmente com todos, mantendo um relacionamento amadurecido, onde esteja.

 

PARA UMA SUAVE RELIGIÃO FAMILIAR

 Se pretendes que em teu grupo familiar haja o norteamento da religião, trabalha para que essa religião não se torne um mero adereço social, um penduricalho a mais nos cabides das tuas experiências.

Religião na família deve significar respeito às diferenças, maturidade relacional e tolerância sem conivência com nenhuma forma de perturbação.

A vida religiosa na família propõe compartilhamento e cooperação em tudo o que configure ação no bem; não comporta depreciação do outro ou zombaria, caso as escolhas sejam diferentes; não admite imposições entre os que se acham aptos a decidir quanto aos caminhos que anelam seguir.

 Caso se anseie por iniciar os filhos no pensamento e nas ações religiosas, com vistas ao seu crescimento espiritual, em termos amplos, que se procure uma crença que seja respaldada pelo bom senso e pela razão. Que se evitem propostas que se mostrem infantilizadas em seus conteúdos e que resistam ao questionamento da lógica racional.

Tendo-se em vista que as leis de Deus - que são as leis naturais - abrangem aquelas vinculadas tanto ao mundo físico quanto ao mundo moral, leva teus filhos a confirmar com as reflexões e descobertas científicas as informações metafísicas da crença, evitando que a mente deles seja apinhada de instruções e premissas que os fatos do cotidiano consigam desmentir.

Nada de fixar neles as ideias de punições e castigos para os que analisam e discutem os conteúdos místicos da religião. Nada de injetar na mente deles que jamais os homens penetrarão os mistérios divinos, verificando que tais mistérios somente correspondem aos graus de ignorância da própria humanidade. na medida em que a mente humana se desenvolve e mais se aprofunda nos conhecimentos do mundo e do cosmo, vai diminuindo a dimensão dos suposto segredos.

Nada de mitologias satânicas em figuras monstruosas que mais aturdem a psicologia infantil - e de muitos adultos igualmente - do que lhe imprime amor à vida e reverencia a Deus. Isso seria condená-los à ingenuidade e, certamente, ao fanatismo porvindouro.

Por tudo o que aprendemos com Jesus Cristo, o que mais deseja o Senhor Supremo é que façamos brilhar a própria luz, desenvolvendo os valores da intelecção e do sentimento, uma vez que aquele que pede recebe, o que busca encontra e o que bate vê abertas as portas, seja do que for.

Toda nobre vivencia religiosa do indivíduo quanto de sua família, pois, deve ser capaz de inscreve-lo no rol dos trabalhadores sempre ocupados com a própria conversão à vivencia da lei de amor, na Terra, e envolvidos com tudo o que seja útil e eloquente, situando-os no rumo seguro do inadiável progresso, porquanto o progresso é filho do trabalho, visto que este põe em ação as forças da inteligência. (1)

E, pois, na busca da boa instrução e na prática ampla do amor a Deus e ao semelhante que nos deveremos situar junto com a nossa família, posto que aí estará a nutriente e vigorosa fonte da fé religiosa. 

(1) - Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, item 2.